sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Psicologia


O Parkour na visão de um praticante



Vamos olhar o mundo na perspectiva de um praticante de Parkour... O medo tem um papel importantíssimo. Ele é uma espada que corta dos dois lados. Enquanto atua na sua proteção, estabelecendo limites e impedindo que faça algo prejudicial ao seu corpo, muitas vezes acaba limitando.
Um praticante de Parkour trabalha o seu medo, descobrindo até onde ele está o limitando ou protegendo. Isso com progressões, calma e paciência. Pouco a pouco, descobrem que aquele ‘impossível’ que surgiu na sua mente depois de tantos “nãos” durante toda a vida, na verdade pode se tornar possível e de forma muito segura!
Enfrentar pequenos medos relacionados ao seu corpo em movimento, abre um caminho gigantesco de possibilidades!
Uma dessas possibilidades é a forma de enxergar o mundo e a relação do corpo com o ambiente. Um sentimento de que você consegue experimentar qualquer coisa, tentar qualquer coisa, e que independente de conseguir ou não, a riqueza do processo é tão valiosa e gratificante que pouco importa o produto final. Aprendendo assim a valorizar a jornada, o caminho, o percurso.
Descobrimos que na vida, o que menos importa é seu Ponto A, o lugar que você está agora, seu ponto de partida. O que realmente importa é o Ponto B, seu objetivo, onde você quer chegar. E quando chegar lá? Haverão muitos outros objetivos e metas para conquistar. O Parkour abre nossos olhos para um estímulo importante, estar sempre em movimento e superar os seus limites.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sociologia - Bullying

Necessidade de revisão de valores


           Os praticantes de parkour geralmente se reúnem em grupos para treinar e até para disputas. Não deixa de ser um esporte que exige concentração pessoal e foco, mas é naturalmente grupal, onde os participantes se tornam amigos, companheiros e mestres, ajudando e dando suporte bem como ensinando uns aos outros – é uma equipe.
            Por ser considerado um esporte radical, o parkour é “vítima” de uma série de "pré-conceitos", que verídicas ou não, são apenas ideia formadas com base em visões isoladas. É sim um esporte que envolve riscos, mas com determinação e treinamento suficientes, cada um busca o seu próprio limite e pode alcança-lo com segurança. É difícil, mas não impossível. Quedas e talvez alguns machucados virão, mas o resultado final vale a pena.
             Os tracers são, em sua maioria, do público masculino, mas ao mesmo passo que o parkour vem crescendo no país e no mundo, o número de mulheres adeptas a prática também e elas vêm cada vez mais conquistando seu lugar no esporte.  
            Não há fatos relatados até então sobre bullying com tracers, mas há um pensamento, baseado nas atividades e movimentos desempenhados e nos lugares em que se encontram de algo marginalizado. É de certa forma, outro "pré-conceito'' sobre o esporte, que não condiz com o apresentado pelos participantes. Muito pelo contrário, a prática pode ajudar, como todos os esportes, a superar diversos obstáculos, problemas e a fugir de momentos constrangedores. Há exemplos reais de pessoas que utilizaram o parkour para se salvar de situações perigosas, como assaltos. Veja, no vídeo a seguir, como esses conhecimentos podem ajudar alguém, como no caso do menino que fugia de seu agressor utilizando os movimentos do esporte:
://vimeo.com/50946624
            Cabe a nós e qualquer outro cidadão com consciência do seu dever em sociedade, alertar sobre o bullying, que contrasta com o ideal de igualdade e respeito que todos esperam de sua população e país como um todo. Generalizar, ridicularizar, desrespeitar, agredir ou qualquer outra atitude com o intuito de causar dor e danos sejam eles físicos ou mentais, devem ser repudiados.  
A mensagem que queremos transmitir é que praticar bullying nunca foi e nunca será um ato engrandecedor para o agressor, e sim, um ato amedrontador para a vítima, tanto em seu dia-a-dia, como em família e dentro de seu meio social, ao ter receio de contar as ameaças e se esconder, movido pelo medo. Guardar tudo isso para si pode ser demais, e muitos não são fortes o suficiente para conseguir superar ou enxergar que existe uma saída por trás desse desespero e acabam muitas vezes cometendo suicídio com o intuito de acabar com o sofrimento o mais rápido possível.
Não seja o responsável por isso, não seja o responsável por deixar alguém com medo de viver, ajude quem precisa, tenha compaixão, seja solidário.  Se todos ajudarem pelo menos uma pessoa, que pode ser ajudada até com um simples abraço, esse mundo já se tornaria um lugar mais agradável de se viver.

            "O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.
Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos."
Martin Luther King

domingo, 25 de outubro de 2015

Antropologia



Raymond Belle, pai de David Belle, nasceu no dia 3 de outubro de 1939, no Vietnã. Sua infância não foi das melhores, pois seu pai foi assassinado, destruíram seu país e foi separado de sua mãe durante a divisão do Vietnã, em 1954. Durante sua vida, Raymond se deparou com o exército francês, que o resgatou em Dalat e lhe forneceu educação militar.  Não se aderiu ao regime normal em que foi treinado para matar, mas preferia salvar vidas. Com 19 anos, seu preparo físico e sua vontade de trabalhar, o fizeram essencial para o regimento dos bombeiros da capital francesa. Suas qualidades eram tamanhas e assim tornou-se campeão de escalada de corda, sendo muitas vezes reconhecido por sua frieza, coragem e espírito de auto sacrifício.


Raymond morreu em dezembro de 1999, mas sua memória e sua bravura ainda são referências. Deixou marcas, e principalmente em seu filho David Belle, onde carrega para sempre o ícone ideal da Brigada de Bombeiros de Paris. 

 

David seguiu os caminhos de seu pai, onde passou na prova e recebeu o certificado dos Primeiros Socorros Nacionais Franceses, durante um período no Serviço Nacional.

 Após recuperar-se de uma fratura devido ao seu trabalho, David entrou para o regimento da Marinha Francesa em Vannes e durante esse tempo foi promovido, e tornou-se o recordista e campeão de escalada de corda (como seu pai).

 Combinando atividades que seu pai experimentou enquanto era um soldado no Vietnã, como treinamentos de ginástica olímpica, superação do medo, e do perigo, concentração, poder movimentar-se para qualquer lugar sem restringir-se fisicamente, experimentar a sensação de liberdade e de estar vivo, dessa mistura nasceu o Parkour. Não sendo um esporte radical, mas uma disciplina semelhante à autodefesa nas artes marciais, já que o seu foco consiste na prática de eficientes movimentos, que desenvolve corpo e mente para superar obstáculos em uma emergência, disciplina esta que requer muita concentração e dedicação, em razão ao risco que o praticante corre.

“A cidade pode ser entendida como um lugar, por excelência, do possível. Trata-se de não se deixar levar por análises apocalípticas de uma saturação das possibilidades.  É preciso voltar a pensar a cidade como um universo dissonante e pluralista.  Detectar em cada esquina forjadores de pluriversos e multimundos, não somente um homem unidimensional e cosmopolita.” (PELBART, 2000, p.48).



“Nesse sentido não estamos tratando mais de múltiplos pontos de vista sobre a mesma cidade, mas sim de múltiplas cidades em cada ponto de vista, unidas pela sua distância e ressoando por suas divergências. “ (RAJCHMAN, 2000, p.412).